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Idosos e
colaboradores do LMR: histórias revisitadas
A situação do residente institucionalizado requer um olhar
diferenciado. Partindo desse pressuposto, o Lar Madre
Regina, sob coordenação da Voluntária e Pedagoga Rita do
Amaral e da Enfermeira Ceres, desenvolveu um projeto de
resgate da memória cujo objetivo é criar um espaço de
inclusão social e de valorização humana para o idoso
institucionalizado.
O projeto tem como enfoque o uso da memória como resgate da
história afetiva, a qual envolve sentimentos, recordações e
emoções, fazendo com que os idosos compartilhem as
lembranças individuais com seus colegas de Instituição.
Participaram desta primeira etapa oito residentes. Ela teve
início dia 5 de maio e término a 27 de junho, com encontros
todas as quintas-feiras de maio e junho, cada qual com uma
hora de duração. Na finalização foram entregues livros de
memórias para os integrantes e diretoria.
As duas coordenadoras se surpreenderam com o desenvolvimento
dos residentes. “Esperávamos uma revisão e reflexão sobre o
papel social de cada um no espaço em que residem, e
conseqüentemente aumentar sua auto-estima”, dizem elas.
“Para nossa surpresa alguns idosos que participaram da
oficina-piloto voltaram a escrever para colegas da
instituição e todos solicitaram a continuação do trabalho ao
término da oficina.”
Além disso, elas enfatizam que “no quarto encontro, todos
começaram a se soltar rememorando a própria vida com
sorrisos confiantes e orgulhosos ao falarem de suas
experiências, sentimentos, decepções e alegrias de um
passado ao mesmo tempo tão distante e tão perto”.
Oficina significa lugar de transformação. O desafio dos
residentes foi lembrar e colocar no papel suas memórias para
que elas ficassem registradas como documento vivo de suas
passagens pela vida. Alguns ousaram e escreveram de próprio
punho, enquanto outros ditaram para as Coordenadoras as
lembranças e ficaram felizes por terem suas memórias
documentadas.
A Diretora Executiva do Lar Madre Regina, Rosimara Ap. Silva
Lima, lembra a respeito de uma consideração da historiadora
Ecléa Bosi, da USP. “Na maior parte das vezes”, escreveu
Ecléa, “lembrar não é refazer, reconstruir, repensar, com
imagens e idéias de hoje as experiências do passado. A
memória não é sonho: é trabalho”.
O projeto fez sucesso. Outros idosos se interessaram em
“resgatar a memória” e a 10 de julho foi iniciada nova
turma, desta vez com seis participantes. O Lar Madre Regina,
representado pela Diretoria, Irmãs e Colaboradores, se sente
honrado por fazer parte, mesmo que pequena, da história de
cada um dos residentes. |