Parente... é serpente!
O Lar Madre Regina desenvolve inúmeras atividades objetivando proporcionar aos seus colaboradores um Programa de Educação Continuada que visa sensibilizar o colaborador que tem contato diário com os residentes em processo de envelhecimento a ampliar o universo cultural destes, por meio de projeções de filmes que abordam temas relativos ao envelhecimento, aumentando assim seu interesse pelo cinema.
O filme escolhido foi Parente... é serpente!, que conta a história de uma família tipicamente italiana que se reúne na casa da matriarca da família, a “nonna”, para a ceia de natal. Os filhos e pais separados pela distância e por estilos de vida bem diferentes se reencontram em clima de festa, até que as verdadeiras personalidades de cada um dos irmãos vão sendo expostas, minando aos poucos o clima festivo. O que resta da fraternidade familiar vai por água abaixo quando os pais anunciam que decidiram morar com um dos filhos. A partir daí começa um autêntico jogo de empurra-empurra, pois ninguém quer arcar com a responsabilidade de acolher os idosos. A história é contada por um dos netos, alheio às dificuldades dos adultos.
Após a projeção do filme foi feita uma reflexão com os participantes a respeito das questões que o filme aborda. Logo em seguida, os participantes se reuniram para discutir e opinar sobre a relação que fizeram entre as situações apresentadas no filme e a realidade vivida em seu trabalho no Lar Madre Regina.
O diálogo foi enriquecedor, como mostram alguns trechos de depoimentos recolhidos no encontro:
"Os pais, gerando nossas vidas, nos amando e ensinando todos os caminhos da vida, ajudando-nos nas dificuldades, provendo os artifícios para o nosso bem, para quando estiverem idosos decidirem que são um problema a ser resolvido e a solução no final das contas é se livrar da encomenda.”
Roberto Carlos Velame (Auxiliar de Enfermagem)
"As pessoas perdem os valores familiares; na família de antigamente tinha um lugar para os avós conviverem com os filhos e netos. Hoje não existe mais, o que leva as pessoas a institucionalizar os idosos.”
"Assistindo ao filme, vi claramente que a opção de ir para uma casa de repouso talvez não seja tão ruim quanto imaginávamos, pois aquilo que serve para uma pessoa pode ser péssimo para outra.”
Sandra Simões (Técnica de Enfermagem)
"Tantos anos se passaram, os filhos já estão crescidos, os netos têm vida própria e o idoso que outrora sempre teve uma vida ativa, participativa, agora já não tem mais tanta disposição e energia para acompanhar o ritmo do corre-corre do dia. (...) Os familiares muitas vezes sentem-se impossibilitados de proporcionar seu bem-estar plenamente ou mesmo atendê-lo em todas as suas necessidades.”
Letícia Pereira (Auxiliar de Enfermagem)
"Hoje felizmente seria a solução de algumas pessoas que talvez trabalhem e não têm com quem deixar os pais ou parente que não podem ficar sozinhos, ou seja, idosos. (...) Seria ótimo se todos pensassem: Um dia também vou ficar velho; pois tenho certeza que o tratamento para com os idosos seria outro.”
Kátia Rodrigues (Técnica de Enfermagem)
"Cada um tem sua história de vida, aprender um pouco dela para melhor entendê-los faz parte da convivência. Quando vemos estas coisas acontecerem, nos perguntamos: Será que existem pessoas assim? Olhamos ao nosso redor e temos cada vez mais certeza que tudo é a realidade (Confirmar se a transcrição foi feita corretamente???) de muitos idosos.”
Rosenice Rios (Auxiliar de Enfermagem)
"Sei que não posso mudar o mundo, mas tentarei fazer a diferença... Agora já não acho injusto o idoso viver em um Lar ou Casa de Repouso, pois serão tratados melhor do que com a família. (...) Quero que saibam que estou aqui porque gosto deles e darei a assistência com amor e não com obrigação.”
Fabio Menezes (Técnico de Enfermagem)
"O amor que sentimos não diminui, mas a paciência vai se acabando, toda a disponibilidade a qual eles no dedicaram não são retribuídas com tanto zelo... por isso muitas vezes os consideramos como algo velho e passado, que pode ser descartado como se fosse a melhor saída e para nos redimir da culpa do abandono. Confirmar se a transcrição foi feita corretamente??? Dizemos a eles que o asilo é um lugar bom, que ele vai gostar de viver com pessoas da sua idade, que iremos visitá-los sempre que possível; só que, na verdade, torna-se cada vez mais difícil achar tempo para as visitas; as conversas tornam-se cada vez mais cansativas por termos que repetir várias vezes a mesma coisa. (...) Eu peço a Deus que este fato não venha ser o retrato da minha vida como filha e nem como mãe.”
Vivian Nogueira (Auxiliar de Enfermagem
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