Uma prova de amor no cuidado com as pessoas
A Enfermagem sempre esteve no coração de Rita de Cássia Viana Katayama, que trabalhou durante 22 anos no Hospital Santa Catarina e atualmente é diretora de Enfermagem e responsável pelas áreas de Qualidade, Gerenciamento de Resíduos, Ouvidoria e Psicologia Clínica do Hospital Geral de Grajaú (HGG). Seu jeito simples, olhar carinhoso e sorriso aberto escondem uma profissional com currículo de dar inveja a muitos.
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| Exterior do hospital com as mães aguardando pela melhora dois filhos. |
Formada há 29 anos na Faculdade de Enfermagem Wenceslau Brás, em Itajubá - MG, ela é pós-graduada em Saúde Pública; Enfermagem medico-cirúrgica, Administração Hospitalar, especialista em Dermatologia e Gerenciamento de Enfermagem; possui ainda MBA em Gestão de Economia na Saúde e é autora do Manual de Cuidados de Pacientes com Estomias, entre outros trabalhos publicados.
Atua como vice-presidente da Sociedade Brasileira de Enfermagem em Dermatologia e é membro integrante do grupo de pesquisa em dermatologia da UNIFESP.
Natural da pequena cidade mineira de Delfim Moreira, a vontade de se dedicar à área da saúde começou cedo. E a coragem sempre presente em sua personalidade foi a responsável pela força de correr atrás de seus sonhos. Um deles foi realizar um trabalho voluntário em um dos lugares mais carentes do mundo, a comunidade de Kongouanu, no sertão africano, situado na Costa do Marfim.
Essa localidade concentra o maior número de casos da Úlcera de Buruli, uma doença causada por uma micobacteria da mesma família da tuberculose e a hanseníase e que é uma das doenças tropicais mais negligenciadas do mundo. Esta microbactéria produz uma toxina que provoca destruição extensa da pele e dos tecidos moles com a formação de grandes feridas. Às vezes, o osso é alcançado e então ocorrem ainda mais danos. Quando essas lesões são curadas, as cicatrizes promoverão restrição dos movimentos dos membros ou outras incapacidades permanentes. A maioria dos atingidos, cerca de 80%, é de crianças e adultos jovens, sendo que 60% delas acabam sofrendo mutilações e revelando grave impacto de saúde publica.
Apaixonada pelo tratamento de feridas, a enfermeira Rita viu no trabalho realizado por esse hospital uma grande oportunidade de levar sua contribuição e ajudar o próximo. Assim, embarcou sozinha, em novembro de 2007, para a Costa do Marfim. “A comunidade onde fiquei é extremamente pobre, localizada há 480 km da capital e há 150 km da cidade mais próxima”, fala. Apesar da língua oficial da Costa do Marfim ser o francês, o país tem mais de 70 dialetos. “Mas a verdadeira linguagem que eu me comunicava com eles era a do coração”, comenta.
Foram dias de muito trabalho, que ela iniciou ensinando os funcionários desde a lavar as mãos até o cuidado básico das feridas. “Foi um período único em minha vida, onde ensinava e acima de tudo aprendia todos os dias. Aquelas pessoas são verdadeiras guerreiras que não se abatem pela dor e pela miséria e, apesar de tudo, são solidários e gratos por pequenas ações”.
Na extrema pobreza deste vilarejo do sertão africano as religiosas Ir. Maria Silveira e Ir. Lourdes (natural de sua cidade natal) ajudaram na construção do hospital e conduzem tudo com muito trabalho, se envolvendo com dedicação diária ao próximo, com extrema pobreza material, que é equilibrada com a nobreza dos seus sentimentos, que a encantava a cada dia.
Mesmo com todos os cuidados que tomou, Rita acabou contraindo malária, antecipando sua volta somente dois meses após a saída do Brasil. “Fiquei assustada com a doença, mas fui muito bem cuidada por eles”, explica.
Alguns meses depois de ter voltado, a enfermeira viajou à Europa. Mas a África não saía do seu pensamento. “A Europa tem a beleza dos olhos. Já a África tem a beleza no coração. Se eu viver 100 anos, lembrarei, por todos os dias, de tudo que aprendi lá”, conta.