Comunicar
A partir da presente edição iniciamos a publicação do Manual de Comunicação Eficaz da ACSC, que terá seu conteúdo exibido a todos os colaboradores nas próximas edições do Congregar.
Como vimos na edição passada, para que a mensagem chegue claramente e sem distorções ao interlocutor, é preciso ter cuidado com uma série de fatores. Nessa edição falaremos sobre as distorções em comunicação.
Com resultado da diferença de valores culturais, tão necessária para a formação da Sociedade moderna, uma mesma mensagem pode ser captada pela mesma pessoa de maneiras totalmente diferentes, de acordo com o seu estado emocional e suas referências anteriores. O mesmo estímulo pode ser recebido de formas tão díspares com lágrimas ou sorrisos, dependendo do momento pessoal e da distância dos fatos vivenciados. As palavras não tem significado em si mesmas, ou seja, isoladamente; são apenas veículos pelos quais tentamos transmitir significados internos.
Nesse ponto, as emoções humanas agem de forma a “ajudar” ou “atrapalhar” na captação do significado das mensagens, sejam elas verbais ou escritas.
Os seres humanos, além das emoções, criam laços de afeto ou cultivam mágoas nas relações com seus semelhantes. Dessa forma, a mesma mensagem transmitida por pessoas com quem temos afinidades será recebida com predisposição positiva. Ao contrário, recebemos com má vontade mensagens emitidas por quem não gostamos. Por exemplo, quando o presidente Kennedy falava à nação estadunidense nas transmissões televisivas, era ouvido com atenção, com a população em êxtase. Se em seu lugar as emissoras transmitissem discursos de Fidel Castro ou Nikita Krushev a reação dessas mesmas pessoas seria de asco ou repulsa.
Na grande maioria dos casos, essas reações independem do conteúdo. Mesmo que os dois últimos falassem sobre coisas semelhantes, seriam interpretados diferentemente.
Quando elabora sua mensagem, o emissor a faz sofrendo a influência de centenas de parâmetros. Nível cultural, experiências anteriores, estado emocional, relações afetivas, formação profissional, classe social, valores, ideologia. Tudo isso influencia no processo de captação dessa mensagem.
Agora, imaginem essas mesmas variáveis aplicadas ao meio utilizado para a transmissão da mensagem e no receptor da mesma. O grau de distorção pode ser muito grande.
Feedback
Entre os muito aspectos da comunicação, além de transmitir informações, devemos lembrar que um de seus objetivos primários é influenciar o comportamento de outras pessoas, estabelecer uma relação de poder. Isso é um complicador extra para o uso de feedback.
A maneira como um CEO de empresa se comunica com os demais colaboradores é bastante diferente de como os colaboradores se dirigem a ele. Muitas vezes, em algumas empresas, ocorre de os colaboradores não apreciarem o feedback feito pessoalmente com seus supervisores e gerentes, o que transforma suas impressões em fofocas. Por isso, a importância do feedback, tanto por parte das gerências como por parte dos colaboradores, precisa ser trabalhada.
Somos seres que reagimos ao ambiente e, consequentemente, às pessoas a nossa volta. Por isso, as expectativas que criamos e recebemos se manifestam através de emoções de aceitação ou rejeição.
Se essas expectativas são claras e bem definidas, ficamos seguros na elaboração de condutas corretas. Quando o contrário ocorre, somos levados a agir de forma tensa, insegura e defensivamente. Por isso frisamos, novamente, a importância da clareza e transparência na transmissão de nosso discurso e de nossas expectativas.
Para evitar – ou diminuir – as distorções, devemos tomar duas medidas simples:
Aumentar nossa abertura, compartilhando opiniões, sentimentos, percepções pessoais e inseguranças, ou seja, revelando aspectos íntimos que os outros só conhecerão com nossa permissão. Essa abertura varia de pessoa para pessoa e deve ser condizente com o ambiente, evitando-se exposições desnecessárias.
Exercitar o feedback, mostrando aos outros os impactos que nos causam e os sentimentos e avaliações que fazemos dos outros. Além disso, é necessário saber ouvir dos demais colaboradores o que pensam e sentem a nosso respeito.
Esperamos você aqui na próxima edição, quando vamos dar sequência ao Manual de Comunicação Eficaz.