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História da Congregação
Regina Protmann - Fundadora da Congregação das Irmãs de Santa Catarina, VM

Pouco tempo depois da morte de Madre Regina Protmann, fundadora da Congregação das Irmãs de Santa Catarina, alguém disse que não poderia deixar no escuro a vida de uma pessoa tão iluminada. Resolveu registrar, numa breve biografia, aquilo que conheceu e presenciou da história desta mulher, a fim de que outras pessoas pudessem ver sua luz e espelhar-se nela, e também, para glorificar Aquele que é a fonte de toda a luz. Isto aconteceu pelos idos de 1623. Faz tempo. Faz muito tempo!

Regina foi uma mulher bonita, apaixonada, sábia e criativa. Tinha coragem e garra. Soube colaborar com Deus fazendo frutificar os dons que dele recebeu e tornou-se uma fonte de luz para muitos. Influiu eficazmente nos caminhos da história de seu povo. Ultrapassou os limites de sua época, do lugar onde vivia e dos próprios paradigmas culturais da sociedade a que pertencia. Percebeu que o Espírito de Deus habitava nela. Deixou-se guiar por Ele e tornou-se uma mulher luminosa, uma estrela.

Nasce no ano de 1552, na Cidade de Braunsberg - hoje, Braniewo, Polônia -, no seio de uma família rica e piedosa, que pôde oferecer-lhe uma educação aprimorada.

Nesse tempo, a Europa atravessava um período de intensas conturbações socioculturais. Um tempo de muita confusão. No campo político-religioso avançava o movimento da Reforma, através da luta armada, dividindo a cristandade entre católicos e protestantes. A Igreja católica convoca o Concílio de Trento e reage com o movimento da Contra-reforma. Os católicos da região onde ela nasceu, com muito custo, conseguem resistir ao protestantismo.

A família de Regina frequenta a bela Igreja de Santa Catarina de Alexandria, onde ela é batizada e vai crescendo na fé.

Torna-se uma jovem vaidosa, inteligente e esperta. Gosta de festas, de roupas bonitas, de sobressair e ver-se a preferida entre suas amigas. Como é próprio da juventude, olha e questiona a realidade que a circunda. Sonha e interroga os caminhos da vida.

Aos 19 anos, de repente, percebe acontecer algo indizível em seu ser: uma luz divina a inunda interiormente e a fascina de modo irresistível. Ela fica feliz e perplexa ao mesmo tempo. Não pode compreender o que experimenta.

A partir daí sua vida toma um novo rumo. Sente forte desejo de corresponder àquela sedução e de entregar-se inteiramente a Jesus, a quem elege como o Amor de sua vida. Deixa o conforto do seu lar e sai à procura de um lugar que favoreça o cultivo desta atração misteriosa. Sua decisão provoca escândalo e comentários maledicentes, pois, naquela época, uma jovem só poderia sair da casa de seus pais para casar-se ou para entrar num convento de clausura, que era, até então, o único modelo de vida religiosa feminina. Ela não queria nem uma coisa nem outra. Desejava apenas cultivar o mistério que a envolvia.

Deixa-se orientar por Deus e vai fazendo caminho até encontrar uma casa pobre, quase em ruínas, onde, à luz da Palavra de Deus e da oração, começa a viver todo um processo de mudança interior. Duas outras jovens sentem-se atraídas pela luz que se reflete em sua pessoa e decidem juntar-se a ela. Querem viver o mesmo ideal, a mesma busca.

O começo é difícil. A moradia é muito pobre, chegam a passar fome e frio. Precisam trabalhar duro para se manter. Apesar da incompreensão e resistência de seus familiares e de seu povo, persevera humildemente em sua decisão, colocando toda a confiança em Deus, seu único refúgio. Compreende que para viver o jeito de Jesus é necessário renunciar a si mesma, para superar as tendências prepotentes e egoístas do coração humano. Por meio deste exercício cotidiano, alcança grande liberdade interior e experimenta uma alegria que ninguém pode lhe tirar.

Outras moças, despertadas por seu exemplo, querem viver esse novo modo de vida cristã e se associam a elas. Regina é reconhecida como a guia deste pequeno grupo de jovens mulheres dedicadas inteiramente a Jesus e à causa de seu Reino. Entre elas reina um clima de grande união e de amor fraterno. Estão juntas na oração, no trabalho e no descanso. Com e como seu povo, frequentam a Igreja local de Santa Catarina.

Além da vida de oração, dedicam-se a servir ao próximo. Os doentes abandonados e as meninas sem escola constituem os maiores apelos para Regina e suas companheiras. Corajosamente abrem suas portas para acolher e educar na fé cristã crianças e jovens, e saem de sua casa para assistir aos doentes, lá onde eles se encontram, buscando anunciar-lhes ao mesmo tempo o caminho da salvação. Além disso, dedicam-se à confecção e aos cuidados de tudo o que se refere às coisas do altar, tão vilipendiado, na época, pelo protestantismo.

Ela mesma, orientada pelos Padres Jesuítas, organiza e escreve uma norma de vida para a nova comunidade. Reconhece e assume a missão que Deus lhe confiou de gerar para a Igreja e para o mundo uma nova família religiosa, a qual coloca sob a proteção de Santa Catarina de Alexandria.

Depois de alguns anos, diante do testemunho e da seriedade do grupo, seus conterrâneos as reconhecem como verdadeiras discípulas de Jesus, e o Bispo da Igreja local aprova, oficialmente, este novo estilo de vida dedicada a Deus, oferecendo-lhes apoio e colaboração.

Vendo aumentar o número das jovens que desejavam fazer parte do grupo, Regina funda mais três conventos em Cidades vizinhas, aos quais dá a necessária assistência com muita dedicação, sabedoria e prudência.

Morre aos 18 dias de janeiro de 1613.

Madre Regina distinguiu-se por uma verdadeira devoção ao Mistério da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus, e especialmente ao Mistério da Eucaristia. A contemplação diária desses mistérios a levou a assemelhar-se ao seu amado Jesus, que viveu entre nós não para ser servido, mas para servir e fazer a vontade do Pai que o enviou. Ela escolheu como lema de sua vida uma frase muito parecida com o programa de Jesus: Como Deus quer! Procurou vivê-lo ao longo de seus dias, numa atitude de fé, grande humildade e amor ao próximo.

Permanecia por longas horas em oração na qual encontrava grande prazer. Seu maior desejo era estar sempre unida a Jesus.

Atendia com tanto amor aos pobres e necessitados que era chamada a Mãe dos Pobres. Costumava lavar os pés deles, tratar suas feridas e enfermidades e terminar este serviço com um beijo afetuoso. Preparava remédios, chás e sopas, que levava ou enviava à casa dos doentes.

Nas adversidades e sofrimentos da vida mostrou-se forte, corajosa e confiante, procurando reconhecer a presença de Deus que, qual Pai amoroso, nos educa também nestas circunstâncias.

Antes de morrer, deixou para suas Irmãs um testamento espiritual onde, além de explicitar o que deseja de suas filhas, revela os princípios que orientaram sua própria vida:

"Minha humilde e maternal exortação a vós, minhas queridas Irmãs, é que sempre andeis com fidelidade diante de Deus, o Senhor, e de nosso amantíssimo esposo, Cristo Jesus, e diante de todos os homens, com dignidade e simplicidade, com profunda humildade, com verdadeira paciência, com perfeita obediência e caridade cristã.

Aprendei queridas Irmãs, a mortificar, não só as paixões perigosas, mas também, os pequenos e insignificantes desejos desordenados que possam prejudicar a vossa vocação e estado religioso, como: tagarelice, suspeitas e pensamentos vãos, ociosidade, risos levianos.

Empenhai-vos, com todo zelo, para que não apenas entre vós vos ameis cordial e fraternalmente, mas que também tenhais boa paz com toda e qualquer pessoa. Assim o bom Deus vos ajudará em tudo e vos abençoará."

O sentido que damos a nossas vidas tem repercussões insondáveis, seja qual for o cantinho do mundo onde vivemos. A força do amor de Madre Regina atravessou séculos.

Hoje, nós, Irmãs de Santa Catarina, suas filhas espirituais, e muitas outras pessoas, tentamos viver a rica herança que ela nos legou, mantendo viva a memória desta mulher luminosa, na Polônia, na Alemanha, na Lituânia, na Itália, no Brasil, em Togo, na Rússia, na Bielorússia e nas Filipinas. Aqui no Brasil estamos presentes em 26 Dioceses.

Para nossa alegria e graça, antes da virada do Milênio, o Papa João Paulo II, no dia 13 de junho de 2008, em Varsóvia, na Polônia, a proclamou Bem-aventurada, esta estrela que, há séculos, brilha, discretamente, no céu da família dos filhos de Deus.

Para mais informações sobre a Congregação das Irmãs de Santa Catarina, VM, consulte o site.

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